Todas as quintas-feiras • 18h30 • Grátis

(senhas distribuidas 15 minutos antes de cada sessão)

CASA FRANÇA-BRASIL
Rua Visconde de Itaboraí, 78 - Centro
Rio de Janeiro
21 2253 5366

A programação do cineclube apresenta clássicos e raridades do cinema brasileiro e alterna filmes policiais, faroestes, pornochanchadas, filmes de terror e ficção científica.

contato malditosfilmesbrasileiros@yahoo.com.br



Em DEZEMBRO, o cineclube MALDITOS FILMES BRASILEIROS! não realizará sessões. A programação volta em 2006 com novos filmes e em novo horário.



PROGRAMAÇÃO DE NOVEMBRO


EXTRA


Maratona
MALDITOS FILMES BRASILEIROS!
20 de novembro de 2005


SALA CINEMATECA
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana - São Paulo
(próxima ao Metrô Vila Mariana)
Informações pelos telefones: 5084-2177 (ramal 210) ou 5081-2954
ENTRADA FRANCA



24h00


• PATTY, A MULHER PROIBIDA
de Luiz Gonzaga dos Santos. São Paulo, 1979, 35mm, cor, 83’, exibição em vídeo. Com Helena Ramos, Roberto
Miranda e Dilin Costa.


Apresentador de programa de TV infantil, adorado pela criançada, o anão Jujuba é, na verdade, um homem devasso e sem escrúpulos. Jujuba e seu fiel Escriba, um ex-comunista calhorda que vive de escrever o roteiro dos programas do anão, tentam seduzir a stripper Patty oferecendo à garota um emprego na televisão.


01h30


• BONECAS DIABÓLICAS
de Flávio Ribeiro Nogueira. São Paulo, 1975, 35mm, cor, 90’. Com Flávio Nogueira, Mady Sand, Walter Prado, Arlete Moreira


O professor Síndrome - um cientista bem maluco - fabrica bonecas quase humanas (andróides) e as distribui entre os amigos insatisfeitos com as esposas.


03h00


• O QUINTO PODER
de Alberto Pieralisi. Rio de Janeiro, 1963. Com Eva Vilma, Oswaldo Loureiro, Augusto César Vanucci e Sebastião Vasconcelos.


Um alerta sobre os perigos da propaganda subliminar. Agindo na clandestinidade, uma potência estrangeira usa os meios de comunicação de massa para transmitir mensagens subliminares, com objetivo de espalhar o pânico e a paranóia entre a população e desestabilizar o país. Só aqueles que não assistem televisão ou escutam rádio, estão imunes aos efeitos maléficos da “propaganda invísivel”.


04h40


• SENTA NO MEU QUE EU ENTRO NA TUA
de Ody Fraga. São Paulo, 1984, 35mm, cor, 87’, exibição em vídeo. Com Sílvia Dumont, Germano Vezani,
Débora Muniz, Sandra Midori, Jaime Cardoso, Kelly Muriel.


Comédia de sexo explícito dividida em episódios. No primeiro, uma vagina adquire voz e consciência. Na história seguinte, nasce um pênis extra na cabeça de um homem que, assustado, procura a ajuda da medicina.


06h10


• MUNDO ESTRANHO
de Franz “Francisco” Eichorn. Rio de Janeiro/Berlim, 1950, Beta, pb, 103’. Com Angélica Hauff, Alexandre Carlos, Nicolau Jartulary, Anthony Zamborsky, Grijó Sobrinho.


Primeiro de uma série de filmes de aventura na selva realizados no Brasil pelo diretor alemão Franz Eichorn.

“Argentino até certo ponto, filmado por alemães, com atores do Prata, alemães e germânicos-brasileiros, parte na Amazônia, parte nas fraldas dos Andes, parte na Quinta da Boa Vista mesmo, no Rio de Janeiro, é anunciado como um filme nacional e, na verdade, parece uma fita mexicana.” (Walter George Durst - Radar, maio de 1951)


07h30 - Café da manhã


CASA FRANÇA-BRASIL


• 03/11 – 18h30


O CASTELO DAS TARAS
de Julius Belvedere. São Paulo, 1982.
Com Esmeralda Barros, Sebastião R Siqueira, Dorival Coutinho, Margareth Souto.


Alunos de parapsicologia são levados por professora a um castelo isolado onde devem fazer pesquisas. Ao chegarem, porém, a mestra se revela uma sacerdotiza do mal e invoca o espírito do Marquês de Sade, que volta para tiranizar os pupilos.


• 10/11 – 18h30


O BANQUETE DAS TARAS
de Carlos Alberto Almeida. Rio de Janeiro, 1982.
Com Aladir Araújo, Cidéia Barbosa, Jotta Barroso, Kelly Berg, Sônia Bruna, Bianca Blonde, Eva Canto, Newton Couto, Elisabeth Fairbanks, Ed Heath, Cristina Keller, Sérgio Madureira.


O paranormal Gregor Nastase acaba de chegar em Nova Friburgo, vindo da Transilvânia. Ele quer conhecer Vladmir Vladislav, jovem escultor que é o descendente direto do Conde Drácula. Usando seus poderes telepáticos, Nastase vai convencer Vladislav a capturar e sacrificar quatro jovens mulheres.


• 17/11 – 18h30


TARA DAS COCOTAS NA ILHA DO PECADO
de Antônio B. Thomé. São Paulo, 1980.
Com Nilza Albanezzi, Daliléia Ayala, Zélia Diniz, Tânia Gomide, Zilda Mayo, Jack Militello, Márcio Prado, Clayton Silva.


Gangue de garotas sequestra um jovem astro da música popular que tem um mapa do tesouro tatuado na bunda. Estória original escrita pelo montador Silvio Renoldi (de O Bandido da Luz Vermelha).


• 24/11 – 18h30


FILME SURPRESA


O FILME SURPRESA de novembro é uma pérola tão obscura que merece alguns comentários. Trata-se de um média-metragem de 40 minutos, extraído do filme de episódios Aqui, tarados (dirigido e produzido por David Cardoso). Sexo e sangue na Boca do Lixo! Pequena obra-prima do cinema de horror nacional.




Em OUTUBRO, a CASA FRANÇA-BRASIL fechou a sala para obras.




PROGRAMAÇÃO EXTRA (SP)


PROIBIDO PARA MENORES
Os Maiores Clássicos da Boca do Lixo
Vol. 1
06 a 09 de outubro de 2005


SALA CINEMATECA
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana - São Paulo
(próxima ao Metrô Vila Mariana)
Informações pelos telefones: 5084-2177 (ramal 210) ou 5081-2954
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) - R$ 2,00 (meia-entrada)
Atenção: Estudantes do Ensino Fundamental e Médio de Escolas Públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.



Programação



06/10 (quinta-feira)
19h30
Sangue em Santa Maria

07/10 (sexta-feira)
19h30
Patty, a mulher proibida

08/10 (sábado)
16h
Obsessão maldita
18h
Os desclassificados
20h30
Um pistoleiro chamado Papaco

09/10 (domingo)
16h
Seduzidas pelo demônio
18h
Os depravados
20h30
Senta no meu que eu entro na tua



Sangue em Santa Maria

06/10 (quinta-feira) - 19h30

Sangue em Santa Maria, de Rubens da Silva Prado. São Paulo, 1970, 35mm, cor, 67’, exibição em vídeo. Com Alex Prado, Rosana Mondin, Walter Vani, Cristobal Diaz, Janis Cooper, Maurício Monker, Bruzone Dantas, Antônio Poli, Pontes Santos, Rodrigo Coriolano, Ciganito. Sessão com a presença do diretor Rubens da Silva Prado.


Segundo faroeste dirigido, produzido e fotografado por Rubens da Silva Prado (ou Alex Prado, como também é conhecido), cineasta formado nos estúdios de Primo Carbonari. O filme conta a história do jovem Paulo (Alex Prado) que chega na colônia mexicana de Santa Maria para vingar a morte do pai. Mas Paulo se transforma em alvo de uma caçada frenética ao se envolver com a namorada do maior pistoleiro da região, um psicopata que manda crucificar todos os moradores da cidade.


Sangue em Santa Maria Sangue em Santa Maria


Patty, a mulher proibida

07/10 (sexta-feira) - 19h30

Patty, a mulher proibida, de Luiz Gonzaga dos Santos. São Paulo, 1979, 35mm, cor, 83’, exibição em vídeo. Com Helena Ramos, Roberto Miranda e Dilin Costa. Sessão com a presença do diretor Luiz Gonzaga dos Santos.


Baseado no conto “Mustang cor de sangue”, de Marcos Rey. Apresentador de um programa de TV infantil, adorado pela criançada, o anão Jujuba (Dilin Costa) é, na verdade, um homem devasso e sem escrúpulos. Jujuba e seu fiel Escriba (Roberto Miranda), um ex-comunista calhorda que vive de escrever o roteiro dos programas do anão, tentam seduzir a stripper Patty (Helena Ramos) oferecendo à garota um emprego na televisão.




Obsessão maldita

08/10 (sábado) - 16h

Obsessão maldita, de Flávio Nogueira. São Paulo, 1973, 35mm, cor, 102’. Com Alexandre Dressler, Selma Egrei, Cláudo Clementino, David Neto, Sônia Garcia.


“Incapaz de enfrentar a realidade, Richard, o principal personagem do filme, se vinga do seu destino, metamorfoseando o horror de seu sofrimento e humilhação em supremo prazer sadomasoquista”, avisa a publicidade do filme. “Obsessão maldita” é o segundo filme do diretor, produtor e roteirista Flávio Nogueira, autor do clássico “Bonecas Diabólicas”. Fotografia de Pio Zamuner.




08/10 (sábado) - 18h

Os desclassificados, de Clery Cunha. São Paulo, 1972, 35mm, cor, 87’, exibição em vídeo. Com Hélio Souto, Joana Fomm, Roberto Batalin, Darcy Silva, Clery Cunha. Sessão com a presença do diretor Clery Cunha


Jovem problemático deseja sexualmente a madrasta, mas ela tem um caso com o gerente do banco. Para se vingar, ele planeja um assalto espetacular à agência onde o amante da mulher de seu pai trabalha. Clery Cunha é ator, roteirista, diretor e produtor de comédias, melodramas, filmes policiais, de um faroeste e do clássico “Joelma, 23º andar”.




Um pistoleiro chamado Papaco

08/10 (sábado) - 20h30

Um pistoleiro chamado Papaco, de Mário Vaz Filho. São Paulo, 1986, 35mm, cor, 70’, exibição em vídeo. Com Fernando Benini, Nikita, Márcia Ferro, Agnaldo Costa, Satã, Chumbinho, Priscila Presley, Custódio Gomes. Sessão com a presença do diretor Mário Vaz Filho


Papaco, pistoleiro de aluguel, arrasta um caixão recheado de preciosas mercadorias que pretende negociar com um grupo de bandidos. Durante sua jornada, muitos tentarão roubá-lo, mas Papaco tem sempre uma surpresa preparada para os seus inimigos... Mário Vaz, diretor de “A mulher que se disputa”, realizou um filme de sexo explícito que toma de assalto todos os clichês do “western-spaghetti”.




Seduzidas pelo demônio

09/10 (domingo) - 16h

Seduzidas pelo demônio, de Raffaele Rossi. São Paulo, 1975, 35mm, cor, 90’, exibição em vídeo. Com Roberto Cesar, Cassiano Ricardo, Shirley Stech, José Mesquita, Padre Quevedo.


Pacato estudante universitário é possuído por um espírito maligno e se transforma numa besta sanguinária... Completamente desesperado, o pai do garoto vai pedir ajuda ao Pe. Quevedo. Raffaele Rossi – roteirista, fotógrafo, diretor e montador de “Seduzidas pelo demônio” – enxertou cenas inteiras da produção alemã “Blood demon” (1967) no filme. Uma pérola do cinema “classe B” paulista.


Seduzidas pelo demônio


Os depravados

09/10 (domingo) - 18h

Os depravados, de Tony Vieira. São Paulo, 1978, 35mm, cor, 86’, exibição em vídeo. Com Tony Vieira, Claudette Joubert, Heitor Gaiotti, Rajá de Aragão, Belmonte, Nestor Lima. Sessão com a presença do ator Heitor Gaiotti e do montador Walter Vani.


O bandido Moreno (Tony Vieira) quer se regenerar, mas antes vai ter que acertar contas com a sua antiga quadrilha, especializada em seqüestrar e estuprar meninas ricas, mantidas em cativeiro como verdadeiros animais. Tony Vieira, produtor, diretor e astro de todos os seus filmes, sempre policiais ou westerns, é um dos maiores mitos do cinema da Boca do Lixo. No elenco de “Os depravados” estão duas presenças obrigatórias em filmes de Tony Vieira: a estrela Claudette Joubert (esposa do diretor) e o comediante Heitor Gaiotti.


Os depravadosOs depravados


09/10 (domingo) - 20h30

Senta no meu que eu entro na tua, de Ody Fraga. São Paulo, 1984, 35mm, cor, 87’, exibição em vídeo. Com Sílvia Dumont, Germano Vezani, Débora Muniz, Sandra Midori, Jaime Cardoso, Kelly Muriel


O roteirista e diretor Ody Fraga (1927-1987) foi uma das figuras mais respeitadas e atuantes do cinema da Boca do Lixo. Precursor do erotismo no cinema paulista com o filme “Vidas nuas” (1967), Ody comenta esta sua investida na comédia de sexo explícito: “Um filme feliz onde se conta a história de duas pessoas felizes. Nela o orgão sexual adquire voz e consciência, nele nasce-lhe um pênis extra e muito vigoroso na cabeça. Isso, porém, não resulta para nenhum dos dois em tragédia teratológica, ao contrário, em muito amplia seu luminoso prazer em desfrutar das lides sexuais”. Fotografia de Aloísio Raulyno.






Explicitar a proibição é o objetivo da mostra Proibido para menores – Os maiores clássicos da Boca do Lixo – Vol. 1, organizada pelo cineclube carioca Malditos Filmes Brasileiros! e composta por 8 títulos produzidos entre os anos de 1970 e 1986. A seleção ironiza sobretudo a percepção da censura a qual estes filmes foram subjugados, ora pelos escribas da história oficial do Cinema Brasileiro, ora pelos censores oficiais e ora pelo ascetismo crítico de gente que compreende o cinema estrangeiro, mas encontra dificuldades com o “similar” tupiniquim.

A série, que a Cinemateca Brasileira inicia neste mês de outubro, é uma ótima oportunidade de conhecer o cinema da Boca do Lixo, importante núcleo da cinematografia paulista das décadas de 70 e 80 montado a partir de um esquema de produção totalmente independente, mas que ainda assim conquistou – por meio da exploração dos principais modelos do cinema comercial tais como o faroeste, a comédia erótica, o filme de terror e o policial – importante espaço no mercado exibidor brasileiro, predominantemente dominado pelo filme estrangeiro.

Após a exibição de alguns dos filmes programados, o público ainda poderá conversar com seus realizadores.

Dessa forma, a Cinemateca Brasileira cumpre mais uma vez seu papel ao oferecer, através da mostra, um panorama mais abrangente da produção cinematográfica nacional.

Núcleo de Programação da Cinemateca Brasileira




A história do cinema brasileiro é feita de exclusões. Ciclos, surtos, movimentos, retomada são palavras que, longe de significarem uma visão abrangente da produção de filmes no Brasil, traduzem o intuito de construir uma história freqüentemente elitista e eugênica do "cinema nacional".

A nova mostra que o cineclube Malditos Filmes Brasileiros! leva ao público, com alguns clássicos do filme B paulista, intitula-se Proibido Para Menores. A proibição não diz respeito apenas aos títulos, mas também ao próprio acesso à elaboração de uma historiografia do cinema brasileiro. Os filmes exibidos são "proibidos" por esta historiografia. Talvez por serem considerados "menores". Talvez por ser a própria historiografia muito estreita para contê-los.

Em que consiste tal "estreiteza"? De um lado, exigimos do cinema brasileiro o compromisso com o seu lado "comercial" e "competitivo", louvando "obras" produzidas a fundo perdido, e que não se pagam. Por outro lado condenamos os filmes realizados por meio da negociação direta com o mercado exibidor, como os filmes da Boca do Lixo. Defendemos o conceito de um cinema "independente" sob a tutela estatal, ao mesmo tempo em que desprezamos a forma de produção dos filmes que, de fato, não dependiam do Estado para serem realizados. Aceitamos um nacionalismo oficialesco de forma acrítica, e não percebemos, na "apropriação indébita" do filme B americano, uma forma de tornar complexo este mesmo nacionalismo paternalista que faz do "cinema brasileiro" uma espécie de peça de museu contemporâneo.

Na mostra Proibido Para Menores - Os Maiores Clássicos da Boca do Lixo Vol. 1, os filmes falam por si. Mas é necessário chamar a atenção para a oportunidade que terão os seus espectadores de debater com Rubens Prado, Luiz Gonzaga dos Santos, Heitor Gaiotti, Walter Vanny, Mário Vaz Filho, Clery Cunha. A presença destes realizadores ajuda a quebrar com a idéia de que a Boca do Lixo é apenas um "ciclo" incluído em algumas páginas de livros de história do cinema brasileiro. Os filmes que serão exibidos, altamente comunicativos, por outro lado reforçam a necessidade de compreendermos o cinema feito no Brasil de forma não atrelada a uma leitura comportada.

Não se trata de dizer, de forma redutora, que tal filme é melhor que aquele outro. Os filmes - ruins ou bons - fazem parte de um acervo a ser disponibilizado ao público, o mais amplamente possível. E se a produção mais radical e rara da Boca do Lixo (que em sua época áurea jamais dependeu de um resgate culturalista) hoje em parte depende de iniciativas como a do cineclube Malditos Filmes Brasileiros! para continuar a ser vista, isto reflete a necessidade de um total arejamento no modo como se busca produzir atualmente uma história do cinema brasileiro, que escape aos padrões do hino nacional e se conecte a uma nova batida. E há várias maneiras de se escrever esta história: exibir filmes é uma delas.

Luís Alberto Rocha Melo




PROGRAMAÇÃO DE SETEMBRO


Retrospectiva
CINCO VEZES NORDESTERN


• 01/09 – 18h30


A MORTE COMANDA O CANGAÇO
de Carlos Coimbra. São Paulo, 1960.
Com Alberto Ruschel, Aurora Duarte, Milton Ribeiro, Ruth de Souza, Lyris Castelanni, Edson França, Léo Avelar, Maira Augusta, Costa Leite, Gilberto Marques, Apolo Monteiro.


a morte comanda o cangaço

Nordeste, 1929. Capitão Silvério (Milton Ribeiro) e seus cabras destroem a fazenda de Raimundo Vieira (Alberto Ruschel). De quebra, decepam a mãe dele e fincam a cabeça da velha num toco. Único sobrevivente do massacre, Raimundo não deixará por menos. Ele reúne voluntários e funda uma volante extra-oficial para livrar de uma vez por todos o sertão do cangaço.

Se O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto, é o marco zero do nordestern, A Morte Comanda o Cangaço é o marco número 1. A fita de Lima ganhou o prêmio de melhor filme de aventuras no Festival de Cannes, com menção especial para a música, fez um baita sucesso de bilheteria no Brasil e no exterior e desencadeou uma onda de faroestes rurais rodados no interior de São Paulo. Desse ciclo participaram a atriz Aurora Duarte e o diretor Carlos Coimbra, que sete anos depois de O Cangaceiro resolveram retomar o tema do cangaço (ela também como produtora).

Chamaram o herói e o vilão daquele clássico, Alberto Ruschel e Milton Ribeiro, para encabeçar o elenco. Barreto havia construído seu nordeste de faz-de-conta em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo; Coimbra filmou mesmo em Quixadá, no sertão do Ceará. Ao invés do preto-e-branco de O Cangaceiro, um colorido de regalar os olhos. Ao invés da pretensão intelectual de Lima, que vivia citando Euclides da Cunha para explicar sua obra, o gosto pela ação pura e simples. Como resultado, A Morte Comanda o Cangaço bateu recordes de bilheteria, colecionou uma pá de prêmios e, mais importante de tudo, ensejou a produção de 21 nordesterns nos 20 anos seguintes – uma média de 1 por ano.



• 08/09 – 18h30


NORDESTE SANGRENTO
de Wilson Silva. Rio de Janeiro, 1963.
Com Irma Alvarez, Luely Figueiró, Paulo Goulart, Jackson de Souza, Waldir Maia, Roberto Duval, Armindo Guanais, Jacy Campos, Milton Vilar, Leda Figueiró.


nordeste sangrento

Nordeste, época imprecisa. O vaqueiro Zé Piedade (Paulo Goulart) viaja rumo a seu grande sonho: ver o mar. No caminho, porém, trava amizade com o bando do cangaceiro Jacaré (Waldir Maia) e vai parar em Juazeiro, onde reina o beato padre Cícero (Jacy Campos). Ao seguir viagem, ele descobre que forças do governo preparam um ataque à cidade santa. Então, Zé Piedade volta e se une aos cangaceiros na defesa de Juazeiro.

Esse nordestern de Wilson Silva mistura personagens reais e fictícios, com referências históricas completamente equivocadas. Mas quem liga? Há lutas de facão, um canhão que as tropas do governo usam para bombardear Juazeiro e até um duelo final dentro de um cemitério. Trata-se do primeiro longa-metragem rodado no Sergipe e do primeiro nordestern a abordar o fanatismo religioso, com direito ao marido de Nicete Bruno na pele de um John Wayne nordestino. Wilson Silva dirigiria depois um western estrelado por crianças, No Tempo dos Bravos (1965).



• 15/09 – 18h30


CANGACEIROS DE LAMPIÃO
de Carlos Coimbra. São Paulo, 1967.
Com Milton Rodrigues, Vanja Orico, Milton Ribeiro, Maurício do Valle, Antonio Pitanga, Walter Seyssel, Sady Cabral, David Neto, Jacqueline Myrna.


cangaceiros de lampião

Nordeste, 1938. Forças do governo massacram Lampião e seus homens, mas cinco deles conseguem escapar. O pior é que são vividos por experts em papéis de cabras ruins, tendo à frente os monstros sagrados Milton Ribeiro e Maurício do Valle (o rei e o vice-rei do cangaço, respectivamente). Durante a fuga, o bando invade o sítio de Pedro Boiadeiro (o galã Milton Rodrigues) e aproveita para violentar e matar a mulher dele. Pedro Boiadeiro, é claro, não os perdoará.

Carlos Coimbra, o Howard Hawks do nordestern, dirige com vigor essa pequena obra-prima. Em razão do êxito de A Morte Comanda o Cangaço (1960), o cineasta foi contratado pelo produtor Oswaldo Massaini para dirigir a superprodução Lampião, Rei do Cangaço (1963). Depois, para o mesmo Massaini, filmou na cidade paulistana de Itu, com orçamento menor e em preto-e-branco, este Cangaceiros de Lampião.

Sem o compromisso histórico da produção anterior, Coimbra deixa a ação e a violência comerem soltas. E nos brinda com uma das seqüências de estupro mais chocantes dentre as muitas existentes nos nordesterns. Atenção: o massacre do bando de Lampião no final de Lampião, Rei do Cangaço é reaproveitado na abertura de Cangaceiros de Lampião, comprovando o talento de Coimbra também como montador.



• 22/09 – 18h30


O CANGACEIRO DO DIABO
de Tião Valadares e Rajá de Aragão (diretor não-creditado). São Paulo, 1981.
Com Tião Valadares, Heitor Gaiotti, Claudette Jaubert, Maria Vianna, Milton Donara, Eliane de Sabá, Nestor Lima, José Galã, Dinho Lampa, Nabor Rodrigues.


cangaceiros do diabo

Nordeste, época imprecisa. Ao descobrir que sua amada foi prometida em casamento a outro, o vaqueiro Januário (Tião Valadares) firma um pacto com o diabo. Com o corpo fechado, ele desenterra os trajes de cangaceiro que pertenceram a seu pai e envereda pelo cangaço. É o início de uma trajetória de crimes, na qual terá como braço-direito o valente Izaías (Heitor Gaiotti). Logo Januário chefia seu próprio bando. A polícia, no entanto, não lhe dará sossego.

Produção paupérrima da Boca do Lixo, é séria candidata ao título de pior nordestern já realizado. Até por isso, resulta divertidíssima. Foi bancada por Tião Valadares, um comerciante que cismou de estrelar um argumento sobre cangaço que ele mesmo inventara. Contratou como diretor Rajá de Aragão, colaborador habitual nos policiais e faroestes de Tony Vieira. Da equipe de Tony Vieira também vieram sua ex-mulher, Claudette Jaubert, e seu mais freqüente parceiro, Heitor Gaiotti. Uma vez pronta a fita, Valadares excluiu o nome de Rajá de Aragão e atribuiu a si mesmo a direção da película.

É provável que Tião Valadares tenha crescido acompanhando as fitas de cangaço de Milton Ribeiro. Em cena, esforça-se para reproduzir os maneirismos e a cara de poucos amigos do vilão de O Cangaceiro. Como roteirista, agrega situações vistas em vários nordesterns: o ritual de fechamento de corpo, a festa num bordel, o chapéu de cangaceiro vestido de forma ritualística etc.

Cenas memoráveis: a tentativa de recriar o célebre ataque a um vilarejo visto em O Cangaceiro, só que aqui sem cavalos; os cangaceiros usando uma corda para atravessar um rio fundo e com correnteza que, evidentemente, não é fundo nem tem correnteza.



• 29/09 – 18h30


FILME SURPRESA




Encerrando a retrospectiva 5 VEZES NORDESTERN, mais um clássico do filme de cangaço, realizado no final dos anos 60, encerrando a época de ouro do gênero. Seu diretor é considerado um dos grandes mestres do cinema da Boca do Lixo.






Nordestern, esse desconhecido

É surpreendente que os auto-proclamados especialistas em história do cinema brasileiro insistam em evocar o nome de Glauber Rocha ao tratar do tema nordestern. Que fique claro de uma vez por todas: não foi o monstro sagrado do cinema novo quem cunhou a expressão, e sim o crítico carioca Salvyano Cavalcanti de Paiva (que, por sinal, não gostava de cinema novo). E que fique ainda mais claro: nordestern é um subgênero de cinema popular brasileiro que nada deve a qualquer obra cinemanovista.

Glauber Rocha, gênio inconteste, soube se valer dos ingredientes da fórmula que outros, muitos outros, já vinham explorando antes dele. Basicamente, trata-se de aclimatar no nordeste do Brasil a equação básica do western: um personagem que representa o Bem enfrenta um personagem que representa o Mal numa terra sem lei. E dá-lhe socos, pontapés, tiroteios, perseguições a cavalo e duelos de facão. O resto é conversa para boi dormir.

Textos e consultoria de Rodrigo Pereira, jornalista, pesquisador e autor da dissertação de mestrado Western Feijoada: o Faroeste no Cinema Brasileiro.






PROGRAMAÇÃO DE AGOSTO


• 04/08 – 18h30


SEDUZIDAS PELO DEMÔNIO
de Raffaele Rossi. São Paulo, 1974.
Com Afonso Arrichielo, Ivete Bonfá, José Fernandes, Lourênia Machado, José Mesquita, Cassiano Ricardo, César Roberto, Eleu Salvador, Shirley Steck


seduzidas pelo demônio

Esqueça Ed Wood… Seduzidas pelo demônio é o filme – Raffaele Rossi é o cara! Pacato estudante universitário é possuído por um espírito maligno e se transforma num brutal psicopata… Completamente desesperado, o pai do garoto vai pedir ajuda ao Padre Quevedo! O diretor – que escreveu, fotografou, dirigiu e montou o filme – reaproveitou cenas inteiras do filme de terror alemão The blood demon (1967) para dar sentido a trama… Pérola trash do cinema classe B paulista.



• 11/08 – 18h30


BACALHAU – BAC’S
de Adriano Stuart. São Paulo, 1976.
Com Maurício do Valle, Hélio Souto, Marlene França, Helena Ramos, Dionísio Azevedo.


bacalhau - bac´s

Finalmente vamos exibir a escrachada paródia de Tubarão dirigida por Adriano Stuart. O temido bacalhau da Guiné deixa a população de um balneário paulista em pânico e espanta os turistas. O oceanógrafo português, chamado para resolver o problema, usa pedaços de discos da Amália Rodrigues para atrair a criatura marinha.



• 18/08 – 18h30


ESCALADA DA VIOLÊNCIA
de Milton Alencar Jr. Rio de Janeiro, 1981.
Com Valentim Anderson, Jussara Calmon, Newton Couto, Ivan De Souza, Celso Faria, Sergio Farjalla, Ibanez Filho, Wilson Grey, Amauri Guarilha, Fernando José, Ana Maria Kreisler, Denny Perrier, Maria Luiza Splendore, Paschoal Villaboin


escalada da violência

Pai de família chega em casa e descobre que a família toda foi trucidada por um bando de sádicos marginais… Após um rigoroso treinamento que inclui artes marciais, luta livre e tiro, o sujeito sai para caçar os bandidos dirigindo uma máquina mortífera… Fotografia de Hélio Silva. Música de Remo Usai. Cinema de ação estilo Rambo, produzido no Beco da Fome. Participação de Wilson Grey.



• 25/08 – 18h30


FILME SURPRESA


Agora vamos exibir um FILME SURPRESA toda última quinta-feira do mês. Em agosto, mais um clássico do faroeste feijoda. Cinema brasileiro feito na base do rogo à Deus e mando bala! Grande elenco, participações muito especiais. Filme fotografado e dirigido por uma das maiores lendas da Rua do Triunfo…





28 de Julho, às 18h30 - Entrada Franca


ÓDIO, de Carlo Mossy. Rio de Janeiro, 1977.
Com Carlo Mossy, Jaime Barcellos, Estelita Bell, Ney Costa, Francisco Dantas, Ivan de Almeida, Wilson Grey, Sérgio Guterres, Heloísa Helena, Átila Iório, Fernando Reski.



“Assim como o criminoso aciona a arma, a sociedade, na sombra do seu egoísmo e indiferença, detona os mais baixos instintos do homem, levando-o ao crime. E esta sociedade não se senta no banco dos réus”…


Esta é a tese que o filme Ódio, violento drama policial ambientado no subúrbio do Rio de Janeiro, quer comprovar através da história do advogado que vê toda a família ser chacinada diante dos próprios olhos e se torna cego pelo desejo de vingança.



Ódio é o terceiro longa-metragem onde o ator Carlo Mossy acumula também as funções de produtor e diretor. Tradicionalmente identificado com as comédias eróticas realizadas a partir do final da década de 60, Carlo Mossy é a figura de maior projeção da pornochanchada carioca. O ator-produtor se consagrou um verdadeiro sultão do gênero, sempre cercado pelas mais belas mulheres, depois de atuar em uma quantidade recorde de clássicos da época, como A penúltima donzela, Soninha toda pura, Quando as mulheres paqueram, Oh! Que delicia de patrão e Com as calças na mão – só para citar alguns títulos.


"Pornochanchadeiro" de carteirinha, e com muito orgulho, o diretor Carlo Mossy surpreende em seu primeiro exercício cinematográfico fora da comédia. Ódio mantém um clima de forte tensão dramática até o final. Sequências bem elaboradas (como a cena do linchamento do marginal interpretado por Ivan de Almeida) e um ótimo desempenho do elenco, todo ele em grande forma, e o do fotógrafo José Medeiros, são os destaques do filme. O roteiro foi escrito pelo diretor, em parceria com os experientes Sanin Cherques e Ismar Porto.



Próximo filme:
SEDUZIDAS PELO DEMÔNIO (1974)


21 de Julho, às 18h30 - Entrada Franca


A FILHA DO PADRE, de Tony Vieira. São Paulo, 1975.
Com Tony Vieira, Claudette Joubert, Heitor Gaiotti, Terezinha Sodré.


heitor gaittitony vieira

Um dia, diz a lenda, o garoto de uma pequena cidade do interior de Minas Gerais fugiu com o circo, sonhando ser artista. O garoto tinha apenas 12 anos e se chamava Mauri Queiroz. No circo, foi baleiro, locutor e trapezista. Depois foi para a cidade grande e conseguiu um emprego na TV. Era ator secundário de novela, na TV Excelsior de São Paulo, quando o câmera polonês Edward Freund o chamou num canto e propôs uma jogada – “vamos fazer um bang-bang na onda dos westerns-spaghettis”. Em 1971, lançam Um pistoleiro chamado Caviúna, o coadjuvante vira ator principal e assim surgia um dos maiores mitos do cinema brasileiro: Tony Vieira.


terezinha sodré e o bandido Mont Serratclaudette joubert

Dois faroestes depois, a dupla desfaz a sociedade. Mauri Queiroz (a.k.a Tony Vieira) assume a produção e direção dos filmes através da produtora MQ (segundo o produtor, abreviação de “Marca & Qualidade”). Eficiente na recriação dos principais clichês do filme de ação, Tony Vieira conquistou o público fazendo um cinema sem segunda intenções, simples e direto. Capaz de comunicar com o espectador do mesmo jeito que aqueles livrinhos de bolso, com histórias policiais ou ambientadas no Velho Oeste, repletos de pancadaria, tiros e mulheres sedutoras. E não podemos esquecer da lição de moral no final, certo?


um apache?bandido do bando de Mont Serrat

O bangue-bangue A filha do padre é um dos maiores sucessos de Tony Vieira e um dos maiores clássicos do chamado Western-Feijoada. O ator Heitor Gaiotti conta que ele e Tony ficavam esperando o final das sessões para escutar a opinião do público, que deixava o cinema comentando: “esses caras pegam faroeste italiano, dubla e diz que é brasileiro”…


tony encontra mont serratpjum! pjum! pjum!

No filme, Ramon (Vieira) e Coyote (Gaiotti) são inimigos, mas deixam as diferenças de lado para lutar contra o temível Mont Serrat. Para livrar a cidadezinha dos bandidos - e fazer de A filha do padre uma obra-prima do cinema brasileiro de gênero - a dupla conta ainda com a ajuda da filha adotiva do padre (a atriz Claudette Jobert, que foi esposa de Vieira e estrelou quase todos os seus filmes), das atrizes Terezinha Sodré e Wanda Kosmo, dos atores Enoque Batista, Affonso Brazza, Elden Ribeiro, Francisco A. Soares, Antônio Navarro (entre tantos outros), do câmera Henrique Borges, do roteirista Rajá Aragão, dos efeitos especiais de Miro Reis e da edição do grande Walter Vani… Isso é que era time!



Próximo filme: ÓDIO (1977)


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AVISO

A sessão de BACALHAU foi cancelada. O filme será reprogramado no mês de agosto. O cineclube volta na próxima semana, exibindo o bang-bang A FILHA DO PADRE.




14 de Julho, às 18h30 - Entrada Franca


BACALHAU (BAC’S), de Adriano Stuart. São Paulo, 1975.
Com Maurício do Valle, Hélio Souto, Marlene França, Helena Ramos, Dionísio Azevedo.

De todas as paródias brasileiras a grandes sucessos de bilheteria dos anos 70, a mais lendária é sem dúvida a nossa recriação de Tubarão, batizada sarcasticamente de Bacalhau ou Bac´s - só para tirar uma onda com o título original do filme do Spielberg (Jaw´s).

Um monstro marinho espalha o pânico entre os moradores de uma pacata cidade do litoral paulista. Depois que uma série de cadáveres (ou melhor, esqueletos) são encontrados na praia, o prefeito decide reunir esforços e caçar (quer dizer, pescar) o bicho. Um oceanógrafo português consegue descobrir que o monstro é na verdade o terrível Bacalhau da Guiné...

O ator Adriano Stuart é diretor e roteirista de Bacalhau (Bac´s) e de muitos outros clássicos do cinema brasileiro, entre eles Kung Fu contra as bonecas, Os Trapalhões na guerra dos planetas, As aventuras de Mário Fofoca e Fofão – A nave sem rumo. Fotografia de J. Marreco e música de Beto Strada. No elenco, Marlene França, Helena Ramos e Matilde Mastrangi.



bacalhau - bac´s


“Em diversas cenas do filme, aparece escrito na cauda do animal um incisivo made in Ribeirão Preto, cidade onde se localiza a firma de material náutico responsável pela construção da engenhoca, toda de fibra de vidro. “Apenas a cauda foi feita de cortiça, para uma mobilidade maior”, explicou um técnico. Na concepção inicial, alias, o bacalhau deveria ser movimentado por figurante Escondido no interior. “Só que ninguém teve coragem de permanecer lá dentro, devido à falta de ar”, comenta Adriano Stuart. “Mas até em uma superprodução como Tubarão o mecanismo eletrônico andou falhando. Por isso não me incomodo em dizer que o nosso peixe movimenta-se com finíssimos cabos de aço e fios de náilon”. Problemas mais grave enfrentou Stuart durante as filmagens. Ele e o mecânico bacalhau jamais chegaram a um entendimento harmonioso. Numa das sequências, por exemplo, o peixe deveria passar perto do barco de seus perseguidores. “Mas ele teimava em não obedecer ao comando. A certa altura, desisti de esperar, alterei o script, nadei até onde estava o bicho e matei o bacalhau a murros mesmo”. (Veja, 26/05/1976)



bacalhau - bac´s


“O hábito que têm as platéias brasileiras de consumir filmes americanos as condiciona a achar “ruins” os filmes brasileiros. Estabelece-se uma inferioridade essencial do filme brasileiro em relação ao ideal americano. Na paródia, esta inferioridade é assumida, ela passa a contar pontos positivos. Há aí uma aparente atitude de independência: sou independente do tubarão, já que o mostro caricato, grotesco, degradado; assumo uma atitude crítica e agressiva diante do tubarão. A paródia funciona aí como agressão ao modelo superior. Mas, contraditoriamente, nesta aparente atitude de independência, está contida uma real atitude de dependência: porque a paródia coloca o original como modelo; mesmo degradado e porque degradado pela paródia, Tubarão é confirmado na sua posição de modelo pelo bacalhau, já que o que se assume e se torna espetáculo é precisamente a impossibilidade de fazer o espetáculo modelar. E a atitude de dependência também porque é justamente isto que os tubarões querem que os bacalhaus sejam inferiores e degradados. Sob a capa de uma atitude irreverente, crítica e agressiva, confirma-se a opressão do opressor e a inferioridade do “inferior”.” Jean-Claude Bernadet (Movimento, 23/08/1976)



Próximo filme: A FILHA DO PADRE (1975)


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07 de Julho, às 18h30 - Entrada Franca


O MAU CARÁTER, de Jece Valadão. Rio de Janeiro, 1974.
Com Jece Valadão, Vera Gimenez, Rodolfo Arena, Antônio Andrade, Estelita Bell, Rubens de Falco, Haroldo de Oliveira, Becky Klabin, Eloísa Mafalda.


Jece Valadão foi o número um. O inimigo público número um do cinema chato e sem graça feito no Brasil por certos cineastas e que se arrasta desde os tempos do Cinema Novo até os dias de hoje. Foi protagonista, produtor e/ou diretor de alguns dos melhores exemplares do nosso cinema policial – como Paraíba, vida e morte de um bandido, Mineirinho, vivo ou morto e O matador profissional, só para citar títulos da década de 60 – e também emprestou sua caracterização clássica de “cafajeste” a algumas boas comédias, como esta de 1974, chamada O mau caráter.

Dois vigaristas decidem faturar um troco. O plano é explorar uns otários que fazem de tudo para aparecer nas colunas sociais e caem, sem dificuldade, na conversa de um guru de araque (Jece Valadão, claro!) que oferece a salvação para quem aderir a filosofia dos Seguidores do Prazer e do Amor… Se o “cinema” brasileiro de hoje tivesse um ator e produtor como o grande Jece Valadão das décadas de 60 e 70, talvez tivesse alguma salvação…


jece valadão

Próximo filme:
BACALHAU - BAC’S(1975)


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30 de Junho, às 18h30 - Entrada Franca


AMADAS E VIOLENTADAS, de Jean Garrett. São Paulo, 1975.
Com David Cardoso, Fernanda de Jesus, Márcia Real, Américo Taricano, Zélia Diniz.


dacar apresenta amadas e violentadas
david cardoso david cardoso

Amadas e Violentadas é mais um “filme B” classe A, dirigido pelo mestre Jean Garrett. A produção é da DaCar – leia-se David Cardoso, ator, produtor e cineasta considerado por muitos o “Rei da Pornochanchada” paulista e, sem dúvida, o maior galã do cinema da Boca do Lixo. O filme está longe de ser o que se poderia chamar de “pornochanchada” (termo usado pela crítica de jornal e por historiadores do cinema brasileiro sem rigor para rotular qualquer tipo de filme de gênero produzido aqui durante a década de 70). Amadas e Violentadas é, na realidade, um thriller muito bem realizado, veículo para a figura carismática do ator-produtor David Cardoso, que encarna um escritor de romances policiais (pulp fiction…) em crise, marcado por um violento trauma na juventude. O escritor, que sofre com uma grande dificuldade para se relacionar com as mulheres, não consegue terminar seu novo livro. A “solução” é assassinar brutalmente várias mulheres, após seduzí-las, e aproveitar essa experiência de “serial killer” como material para o seu próximo livro. Jean Garrett está entre os mais habilidosos diretores da Boca, seu cinema não é exatamente “autoral”, mas tem estilo e grande cuidado na realização e acabamento. O diretor (nascido no Arquipélago dos Açores, apesar do pseudônimo francês) veio parar em São Paulo nos anos 60 e começou a trabalhar com José Mojica Marins – diz a lenda que dormia no caixão do estúdio de Mojica – e Ozualdo Candeias. Os primeiros longas que dirigiu foram para a produtora de David Cardoso e Amadas e Violentadas é seu segundo filme. Imperdível..


david cardoso vítima
david cardoso david cardoso

Próximo filme:
O MAU CARÁTER(1974)


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23 de Junho, às 18h30 - Entrada Franca


A REENCARNAÇÃO DO SEXO, de Luiz Castellini. São Paulo, 1982.
Com Patrícia Scalvi, Roberto Miranda, Lia Farrel, Ana Maria Kreisler, Lígia de Paula, Arthur Roveder.



"Quem nunca perdeu a cabeça por causa de um grande amor?". O filme de terror A Reencarnação do Sexo, escrito e dirigido por Luiz Castellini (baseado num texto original de Giovanni Boccaccio), leva esse velho chavão até as últimas consequências… O empregado de um sitío se apaixona pela filha do patrão. Mas o amor sincero do casal não convence o pai da menina, que num dia de fúria alucinada simplesmente mata o rapaz a machadadas. A moça, possuída pelo espírito morto, recolhe a cabeça do ex-amante (isso mesmo!) e a leva para dentro de casa, enterrando-a num vaso de planta… Depois deste estranho acontecimento, o terror e a luxúria dominam o ambiente, sob o comando da alma maligna do rapaz, sedenta por vingança. A casa fica amaldiçoada por mais de uma década e todos que passam por lá são levados a praticar intermináveis orgias macabras, banhadas a muito sangue e víceras! Castellini é um diretor habilidoso na construção de climas. Ótima fotografia de Cláudio Portioli. Uma produção de Cláudio Cunha, o diretor do clássico Snuff – Vítimas do Prazer. Programa obrigatório para aqueles que acreditam que o cinema de horror brasileiro se limita aos filmes do mestre José Mojica Marins.



Próximo filme:
AMADAS E VIOLENTADAS (1975)


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09 de Junho, às 18h30 - Entrada Franca


NA MIRA DO ASSASSINO, de Mário Latini. Rio de Janeiro, 1967.
Com Agildo Ribeiro, Glauce Rocha, Wilson Grey, Milton Gonçalves, Angela Berg, Eliezer Gomes, Zilka Salaberry, Ricardo Luna, Milton Rodrigues.

polícia carioca agildo ribeiro
milton gonçalves policial

Depois da comédia, seja musical ou erótica, o filme policial foi o filão mais explorado pelo cinema brasileiro dirigido ao grande público, e esteve presente em nossas telas desde a primeira década do século passado. Um dos mais dedicados cultores do gênero no Brasil foi o advogado e cineasta carioca Mário Latini – irmão de Anélio Latini, diretor do clássico Sinfonia Amazônica, primeiro longa-metragem de animação realizado no Brasil.


agildo ribeiro glauce rocha
wilson grey agildo ribeiro e milton gonçalves

Latini começou a filmar nos anos 50, realizando alguns filmes diretamente ligados a tradição do film noir (Traficantes do Crime, Contrabando). Em Na mira do assassino, rodado na década seguinte, o diretor atualiza o estilo noir incorporando elementos do filme policial com preocupação social, em moda na época. O filme é uma rara oportunidade para conferir Agildo Ribeiro, ainda jovem, num papel dramático. Agildo interpreta um marginal, saído de uma favela carioca, que durante uma fuga se refugia na casa de um promotor de justiça. Cercado pela polícia, Agildo explica ao promotor como a vida e a sociedade o empurraram para o mundo do crime.


feira livre eliezer gomes

As filmagens foram realizadas num morro atrás da Central do Brasil, dominado pelo bandido Mineirinho – que teve sua vida (e morte) romanceada em outro filme da mesma época, dirigido por Aurélio Teixeira e estrelado por Jece Valadão. Mineirinho colaborou com a equipe, permitindo uma filmagem tranquila. O filme é um ótimo registro do cotidiano sofrido da população pobre do Rio de Janeiro do final dos anos 60.


central do brasil wilson grey e ricardo luna
wilson grey agildo ribeiro

Além de Agildo Ribeiro, Na mira do assassino conta com um grande grande elenco: Glauce Rocha é a “mina de fé” do perigoso bandido; Zilka Salaberry é a mãe da menina; Milton Gonçalves é o fiel parceiro do criminoso; Eliezer Gomes, o dono de uma birosca no morro; e ainda as participações de Ricardo Luna e Milton Rodrigues. Destaque absoluto para o genial Wilson Grey, no papel do “X-9”, o alcagüete, numa das melhores atuações de toda sua carreira. Adaptado da novela radiofônica “O bandido”, de Berliet Jr., com a colaboração de Jorge Dória no roteiro e nos diálogos. Música de Jair Rodrigues. Mais uma obra-prima do cinema brasileiro, esquecida pelos “experts” da indústria acadêmica.




ATENÇÃO

A sessão da PRÓXIMA SEMANA foi CANCELADA. O filme FUSCÃO PRETO será reprogramado em outra oportunidade. Os MALDITOS FILMES BRASILEIROS voltam dia 23, com a exibição do filme de terror REENCARNAÇÃO DO SEXO.




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contato:
malditosfilmesbrasileiros@yahoo.com.br

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